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Qualquer
pessoa que conheça alguma coisa sobre música
árabe, conhece o nome Oum Koulsoum. Esse nome é
provavelmente o mais famoso dentre todos os nomes árabes
ligados ao canto no mundo árabe. Oum significa mãe
em árabe. Usando neste contexto é como se
fosse um apelido, mas neste caso em especial, é o
nome real de uma mulher que foi a " mãe"
das mais conhecidas e amadas canções árabes
de todos os tempos.
Você pode encontrar diferentes formas de grafia para
este nome. Algumas vezes Om é pronunciado como :
Um, Umn,Oum ou Omn. Koulsoum pode ser visto como: Kulthum,
Kalsoum ou Khalthoum. Todas estas são versões
fonéticas do mesmo nome.
Oum Koulsoum nasceu numa pequena vila , vinda de uma família
simples, em 1904. Ela aprendeu a cantar em casa com seu
pai, que era o líder religioso da mesquita local
e suplementava seu magro rendimento se apresentando em casamentos
e outras celebrações acompanhado de seus dois
filhos, Oum e seu irmão. Os três sempre trabalhavam
juntos. Em virtude de sua juventude e sua voz forte e excepcional,
Oum logo se fez notada e se transformou em atração
especial dentro do trio, por vezes fazendo a abertura das
apresentações. Com o passar do tempo a família
viajou mais longe e conseguiu aumentar seus preços
para contratações. Ainda mesmo com o sucesso,
a família relutava em ir para o Cairo, apesar de
muitas pessoas encorajarem Om a levar sua carreira a frente
na cidade que era e é até os dias de hoje,
o centro dos negócios para a industria do entretenimento.
Finalmente a família se mudou para o Cairo em 1923,
quando Oum contava 19 anos.
Sua
voz foi imediatamente notada e aclamada pela imprensa ,
mas tendo sido considerada ainda sem instrução
, uma pedra preciosa a ser lapidada. Oum partiu em estudos
, com diversos professores de música assim como poetas
e a própria sociedade. Estudava para seguir os passos
e as formas de comportamento de sua época tomando
por exemplo as senhoras de elite, que eram seu público
cativo em casas particulares onde ela se apresentava. Logo
se tornou amiga daquelas pessoas que a contratavam e iniciava
assim um novo momento em sua carreira.
Na primavera
de 1926, Oum Koulsoum contratou pela primeira vez músicos
profissionais para acompanhá-la cantando, e eles
então tomaram o lugar de sua família. Por
volta de 1928, ela elevou-se ao topo dentro do " ranking"
dos cantores profissionais do Cairo.
Durante os anos 20 e 30, ela esteve na TV gravando comerciais
que lançaram seu envolvimento, que duraria por toda
a vida, com a mídia em massa.
Seus
anúncios comerciais lhe ofereceram segurança
financeira e conforto, então Oum pode ser seletiva
acerca de suas oportunidades para se apresentar , e aceitava
apenas o que lhe interessava. Ela foi uma sábia mulher
de negócios, dispensando seu agente e tomando em
suas próprias mãos a organização
e decisão de seus contratos profissionais. Ela cultivou,
cuidadosamente seu público, que incluía um
vasto número de ouvintes, sentados em casa ou em
lojas, perto dos rádios, o que a transformou numa
figura familiar para todos eles.
A época
dourada dela aconteceu nos anos 40 e 50. Seu repertório
se expandiu das canções românticas modernas
para trabalhos neo-clássicos , baseados em costumes
historicamente árabes, envolvendo nas composições
música e poesia, recontando a vida. Esta música
foi considerada genuinamente árabe e se tornou extremamente
popular.
Problemas
de saúde perseguiram Om Koulsoum toda a sua vida,
afetando seriamente sua carreira em 1946. A preocupação
com sua voz, a levou a sofrer de depressão, e esta
se agravou no ano seguinte a morte de sua mãe, irmão
e um sério rompimento amoroso. Em 1949 ela passou
a apresentar problemas com seus olhos, agravados pela forte
iluminação nos palcos e na televisão.
Finalmente ela decidiu usar óculos escuros para suas
apresentações em público. Seguiu-se
então um longo período em que sua saúde
esteve comprometida, e isto durou até 1955. O público
considerou com compaixão seu afastamento , aceitando
que sua estrela imutável era de fato um ser humano.
Um dos nomes atribuídos a ela durante a vida foi
" Kaukab al Shark" que significa Estrela do Oriente
- observação feita por Omar Naboussi durante
a tradução deste artigo - Durante esta fase
de sua fase, no lugar de ser esquecida, ela se tornou ainda
mais querida pelo público fiel e amoroso que acompanhava
sua história.
Por
esta época Om iniciou sua parceria com o premiado
compositor Mohamed Abdel Wahab. Em 1964, eles produziram
aquela que seria uma de suas mais conhecidas canções
no mundo todo, " Ente Omri". Esta foi a primeira
das dez canções que Mohamed Abdel Wahab escreveu
para Om Koulsoum.
Durante
os anos 50 e 60, ela expandiu sua atuação
se transformando em porta voz de diversas causas ligadas
a arte e a música, e entrou para a vida pública.
Ela solicitava ajuda governamental para a música
e os músicos atuantes no Egito. Depois da guerra
de 1967, ela iniciou uma série de concertos dentro
e fora de sua terra para angariar fundos para sua causa.
Viajou extensivamente dentro do Egito e no mundo árabe,
coletando contribuições e doando os resultados
obtidos para o governo egípcio. Ela se tornou então
conhecida como a voz e o rosto do Egito.
Seus
problemas de saúde se agravaram muito com a idade,
e sua condição geral se deteriorou drasticamente
em 1971. Seu último concerto aconteceu em dezembro
de 1972. Em janeiro de 1975 Om Koulsoum sofre uma crise
renal que a levou a morte em 3 de fevereiro daquele ano.
Milhares de egípcios entristecidos acompanharam seu
funeral.
Diz-se
que seu repertório completo contava com cerca de
280 canções, em temas os mais variados envolvendo:
amor, patriotismo, religião e natureza. Usava tanto
o árabe clássico quanto o coloquial. A maioria
delas é tão famosa hoje quanto era quando
sua intérprete estava entre nós e as apresentava
para as multidões. Algumas das mais famosas para
nós bailarinas são: " Alf Leila we Leila,
Ana Fintezarak, Ente Omri, Fakarouni, Leilet Hob e Lessa
Faker.
É
de máxima importância para qualquer bailarina
oriental profissional conhecer ao menos um pouco sobre a
diva da música árabe, Om Koulsoum. Para estudos
posteriores vale a pena pesquisar a internet, estando atenta
para procurar por todas as diferentes grafias de seu nome.
Uma referência maravilhosa é o site http://www.almashriq.com
Artigo
escrito por Jasmin Jahal em 2000 -Tradução:
Lulu Sabongi fevereiro 2003 |
| Entendendo
a dança Balady, por HOSSAM RAMZY
Você
nunca verá um grupo coreografando um improviso Baladi.
Simplesmente não se faz, embora no “SHARQI”
haja diversas coreografias de grupos e na verdade, quando
o “RAQS SHARQI” começou, usava-se muito
a presença de bailarinas de fundo (veja a série
de vídeos “Stars or Egypt” ™).
Então, o que é Baladi?
Venha
comigo para um passeio pelas ruazinhas do Cairo. Não
exatamente pela rua Mohammed Ali, o local onde viviam e
vivem diversos músicos, dançarinas e outros
artistas desde o final do século passado, isto é
muito óbvio; vamos para Haret Zeinhom, no distrito
El Sayeda Zeinab do Cairo. Mas... Quem vive ali? Pessoas
que se mudaram para a cidade algumas centenas de anos atrás,
ou ainda antes disso. Estas pessoas vieram de outras cidades
do Egito como El Mahalla, El Kobra, Alexandria, Luxor, Aswan,
Asyout, Quena, Banha, Damanhour, Domiat, Sohag... ou qualquer
outra. OK... Por quê? Para conseguir melhores empregos
ou comercializar seus produtos.
Agora, estas pessoas são muito especiais, elas não
são como o povo da cidade, entretanto, algumas são
muito bem educadas e continuam educando suas crianças.
Muitos deles são agora doutores, arquitetos, advogados,
militares, diretores de grandes companhias ou ainda estão
trabalhando no Governo. E mesmo se tornando parte da cidade
grande, eles ainda sentem muito orgulho de suas raízes
e portanto ainda são muito ligados a elas, e é
isso o que eles sempre irão chamar de “CASA”,
a cidade ou vilarejo de onde vieram. Eles dizem que um dia
ainda irão retornar a “EL BALADI”, ou
seja, meu lugar, minha terra natal.
Em árabe, “BALADI” significa meu país,
minha terra natal. Mas para o “sofisticado”
povo da cidade (uma das definições do dicionário
para Sofisticado é irreal, falso) significa algo
que cresce do chão, ou seu país, ou caipiras
ou mesmo roupas de gosto duvidoso.
P) Quem
ou o que são as mulheres para um homem egípcio
/ árabe?
R) Uma
mulher para um homem egípcio pode ser: Mãe,
irmã, filha, tia, avó, prima, noiva, esposa
ou empregada doméstica. Bem, um egípcio não
poderá NUNCA dizer não para nenhuma destas
damas. Elas controlam completamente sua vida. Aquilo que
ele come, aquilo que ele veste, o local onde ele irá
dormir, que emprego “ELAS” terão orgulho
que ele assuma, e
ELAS
ESCOLHEM PARA ELE A MULHER COM QUEM ELE IRÁ SE CASAR.
É
um jogo da vida, e as mulheres egípcias o jogam apaixonadamente,
até o fim.
Lembro-me de quando eu era um jovem no Cairo, eu tinha um
grande amigo que também era baterista chamado Tareq,
nós dois éramos muito “SOFISTICADOS”
(ooops), provenientes de famílias de classe alta.
Minha família era Pashas e estava na indústria
do cinema e também havia mercadores muito ricos de
ouro e diamantes do Khan el Khalili. Um dia, Tareq e eu
estávamos em El Hossein, e andávamos atrás
de uma moça.
Esta moça Baladi devia ter cerca de 28 anos de idade,
e nós tínhamos cerca de 16 ou 17. Ela vestia
uma longa Galabeya que estava bem folgada, mas onde o Melaya
estava amarrado, podíamos ver a maravilhosa forma
de “Coca Cola” (Tamanho padrão) (brincadeirinha)
de seu corpo. Havia uma certa parte de sua traseira que
se movia independentemente, como dois gatinhos brincando
em um saco, ...... Então, ritmicamente, Tareq e eu
começamos a cantar um MAKSOUM para seu andar: Dom
Tak Trrrrak Dom Retak ....... e após algumas barras
de compasso nós não agüentamos mais e
começamos a rir. Mas eu nunca esqueci aquele dia.
Ela andava como se não houvesse nenhuma outra mulher
para se olhar neste abençoado planeta além
dela. Até onde ela sabia, ela ERA. Orgulhosa, forte,
agradável e muito respeitável, e cheia de
força feminina.
E para
dançar?
1. Ela
terá que dançar bem devagar, conquistando
seu espaço pouco a pouco.... Um pequeno taqsim ou
um Oud, ou como se faz recentemente, um acordeom ou um saxofone
ou mesmo um teclado, é uma boa maneira de começar.
2. Ela
terá que dançar em um único ponto,
com pequenos e contidos movimentos, muito contida mas cheia
de sentimento pela música, e expressando a música.
3. Se a música faz uma nota longa, ela ondula com
esta nota como os brotos de bambu ao longo das margens do
Nilo, ondulando com a força da brisa.
4. Se
a música tem pequenos sons acelerados, ou mesmo tremidos,
ela faz o shimmie acompanhando. O bambu também é
chamado de Oud, de onde vem o nome da introdução
do Taqsim assim como também é usado para o
instrumento Oud (alaúde). É por isso que também
é chamado de AWWADY. Esta parte é como um
Mawwal (canto livre, nostálgico e não-rítmico)
de um instrumento.
Quando
o gelo começa a ser quebrado, o ritmo é introduzido
pouco a pouco novamente. Como isto é feito? O Taqsim
dissolve-se e volta à sua escala de abertura (a escala
musical volta ao início) então os instrumentalistas
fazem um jogo de pergunta e resposta com os percussionistas.
Tanto as perguntas quanto as respostas cabem em uma barra
do ritmo na mesma velocidade como se e quando elas continuassem,
os músicos tocassem juntos, mas em um estilo de pergunta
e resposta. A melodia toca em 2 e 3 – então
a percussão toca em 4 e 1, POR QUATRO TEMPOS ou por
oito tempos, brincando alegremente e incitando a bailarina
a dançar com mais e mais ritmo e então eles
iniciam um ritmo Maksoum (balady de um dum) contínuo.
Esta parte de perguntas e respostas é chamada Me-Attaa.
Significa quebrar pequenos pedacinhos da música e
do ritmo.
Uma
vez que o ritmo esteja estabelecido, a bailarina ainda dança
de forma conservadora, mas com um pouco mais da sensualidade
e um toque feminino pessoal. Após um pouco mais de
tempo os músicos iniciam um tipo diferente de perguntas
e respostas ( Me-Attaa), um pouco mais veloz indicando a
possibilidade da chegada de um ritmo ainda mais rápido.
Então
eles entram em um Maqsoum acelerado. Neste momento, a bailarina
está livre de todas as inibições e,
então chega a hora do ÚNICO PASSO DE DANÇA
QUE É VERDADEIRO E TRADICIONAL, CONHECIDO POR TODAS
AS MULHERES EGÍPCIAS, O BALANÇO DOS QUADRIS
(por favor observe o artigo de Hossam na Habibi Magazine,
está bem explicado ali).. Nesta parte, os músicos
tocam uma canção saudosa do folclore egípcio,
ao som do Mizmar... Isto soa como acentos em 2 e 4:
Isto
pode prosseguir por algum tempo, mas enfim teremos que voltar
para o mundo das PESSOAS BALADI, não é? Isso
quer dizer voltar para as raízes, o lado caipira,
as fazendas e vida no campo, o estilo Fallahy de viver,
então voltamos a um outro Me-Atta, mas estas perguntas
e respostas diminuem gradualmente de modo que você
pode PUXAR o ritmo FALLAHY para um rápido Maqsoum
(Puxar, em egípcio, é Magrour) o que é,
em essência, o ritmo Fallahy.
Neste ponto, elas normalmente fazem a Andada Egípcia
(para os ocidentais, Andada com Shimmy). O TET também
pode ser tocado com o Fallahy.
E,
assim,os músicos devem acalmar a música gradualmente
ou as pessoas ficarão muito enlouquecidas se eles
pararem de repente, então eles diminuem mais e mais
e mais a música até voltar para o Taqsim Awwady
original, e um final gentil. É assim que e porque
uma mulher BALADI dança o Baladi.
Isto
tem sido incorporado e repetido em palcos, em quase todas
as casas noturnas por causa da necessidade de haver variedade
nos programas destas casas, pois . basicamente, dança-se
o RAQS SHARQI. Nas casas noturnas eles fazem um pouco de
introdução SOFISTICADA na música, e
se dança usando uma roupa de duas peças, como
uma mulher Baladi jamais seria vista usando, pois é
uma coisa SHARQI. (Muitas pessoas confundem chamando aquilo
de roupa estilo clássico, mas não é.
Esta é uma idéia relativamente nova que chegou
por meio das casas noturnas, e é governada pelas
leis do quanto mais pode ser exposto e mostrado pelas assim
chamadas “dançarinas de Raqs Sharqi”,
que se tivessem chance naquela época, teriam mostrado
ainda muito mais do que você pode imaginar) então
elas saem do palco para trocar esta roupa pela peça
única chamada THOUB (vestido, o que as moças
Baladi usam) para fazer um número Baladi ou de algum
outro folclore o solo de percussão e a saída.
Verifique qualquer gravação de música
Baladi, de qualquer músico ou em qualquer CD ou vídeo.
Se você me perguntar quem é a melhor dançarina
de Baladi em todo o Egito hoje, a resposta é simplesmente
LUCY. Antes era a Senhora Nagwa Fouad.
Com
muito ritmo
Hossam
Ramzy. |