A Dança do Candelabro ou Shemadan é muito utilizada em casamentos árabes especialmente porque simboliza a pureza da noiva e o desejo de que a sua vida seja iluminada. Ela acontece durante a Zeffa, famoso cortejo, tradicionalmente árabe, realizado para levar a prometida até a casa de seu futuro marido, que pode durar vários dias.
Na dança, a bailarina equilibra no alto da cabeça um castiçal, cuja base parece um capacete vazado, com um elástico na parte de trás para que o acessório seja mais bem acomodado. Ao contrário do que se imagina, a música para esta dança não é necessariamente composta apenas de trechos lentos em que a bailarina ondula seu corpo com movimentações suaves e precisas. Ela também abrange arranjos um pouco mais rápidos em que se podem executar batidas, tremidos e deslocações bruscas; com destaque para os movimentos de chão.
O CASAMENTO ÁRABE
Até algumas décadas as festas de casamentos árabes duravam muitos dias, até semanas, mas em razão dos altos custos, hoje é hábito festejar por apenas um dia. É comum os salões de festas no oriente serem compostos por duas salas (para casamentos muçulmanos), onde as mulheres festejam de um lado e os homens de outro. Nos dois salões ocorrem apresentações de danças típicas e dança do ventre, muita música e comida, pois é um dia muito feliz para as duas famílias.
Em algumas regiões há o pagamento de um dote, que muitas vezes é taxado pelo governo para não haver exageros.
Zouba el Kloubatiyya foi primeira mulher a utilizar um " klob"( candelabro) equilibrado em sua cabeça durante a Zeffa, tradicional procissãoque acontece nos casamentos árabes .
A dança do candelabro como parte da Zeffa egípcia pertence ao início do séc. XX. Antes desta época, a zeffa era liderada por dançarinas e músicos mas a iluminação era fornecida apenas por velas especialmente produzidas para tanto, mediam 3 pés e eram especialmente decoradas para a festa. Outras pessoas participantes da ZEFFA carregavam pequenas lanternas com velas dentro que complementavam a iluminação da procissão. As velas especiais para casamento permanecem como parte da cerimônia até os dias de hoje.
Tradicionalmente a Zeffa acontece de noite, mudando de direção através das ruas da vizinhança da casa dos pais da noiva até a casa de seu noivo que passará a ser sua nova casa. Esta é a mudança oficial da noiva e é liderada por uma dançarina, músicos e cantores, seguidos logo após pela festa de casamento, pelos amigos e a familia.
Existem músicas especiais para estas ocasiões com um ritmo específico conhecido informalmente como batida Zeffa. Esta seria sempre a música apropriada para usar durante a procissão de casamento.
Desde os anos setenta, em função das festas de casamento no mundo árabe terem se tornado mais urbanas e modernizadas, a Zeffa se mudou junto com a festa para os ambientes hoteleiros.
No hotel , a Zeffa vai acontecer na escadaria central do hotel indo para o hall da sala de recepção onde as festividades terão lugar. Dentro deste salão a procissão circunda todo o ambiente e coloca os noivos em tronos especiais ornamentados com flores num dos cantos da grande sala.
Depois da Zeffa terminada, a dançarina ainda fará uso de mais música que pode ser típica para a ocasião ou não, para fazer a noiva se levantar e dançar, depois o noivo, e finalmente o casal é convidado a dançar juntos. A dançarina pode ainda apresentar um solo de candelabro que pode incluir até mesmo uma descida ao chão. Esta é a parte teatral da apresentação usada apenas para entreter os convidados, separada da parte tradicional da Zeffa.
Como alternativa, os noivos podem escolher celebrar sua festa de casamento no nightclub do hotel. O casal seria então reconhecido dentro do público e trazidos pela dançarina para o palco, onde aconteceria a Zeffa. Ela faria com que dançassem juntos, então prosseguiria para sua própria apresentação incluindo o solo de candelabro e o trabalho de chão.
A cerimônia conhecida como Zeffa é tradicionalmente egípcia mas outros casais do Oriente Médio adotaram a mesma como parte de sua celebração de casamento, incorporando-a juntamente com seus rituais.O candelabro é também parte da apresentação teatral e folclórica, representando as antigas tradições representadas em palco. Pode-se ver esta dança representada por Mahmoud Reda e sua troupe que percorreu o mundo mostrando sua arte e a dança egípcia por anos.
A Dança Tribal, também chamada Estilo Tribal, Tribal fusion, entre outras denominações, é uma vertente surgida nos EUA, em 1969, quando a dançarina Jamila Salimpour, ao fazer uma viagem ao Oriente, se encantou com os costumes dos povos tribais.
Fascinada pela dança, pela estética e pelo universo místico do Oriente, Jamila resolve acrescentar e mesclar os elementos que havia conhecido na viagem. Junto à sua trupe Bal Anat, Jamila passou a desenvolver coreografias que utilizavam passos característicos da dança oriental e acessórios das danças folclóricas. Ela tomou como base as lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dançateatro,criando um figurino inspirado no vestuário típico das mulheres orientais, que ficou como uma das características mais marcantes do Tribal.
Uma forte característica trazida das danças tribais é a coletividade. Não há quase nenhuma performance solo no Estilo Tribal. De acordo com a dançarina Paula Braz (2008), do trupe natalense Cia Xamã Tribal, as dançarinas, como numa tribo, celebram a vida e a dançam em grupo. Nos anos 1980, novas trupes já haviam se espalhado pelos EUA. Masha Archer, discípula de Jamila, ensina à Carolena Nericcio a técnica criada por Jamila baseada nos trabalhos de repetição e condicionamento muscular do Ballet Clássico adaptados aos movimentos das danças étnicas (BRAZ, 2008).
Incentivada pelas diferenciações do novo estilo, Carolena forma sua própria trupe e dá novos contornos à história do Estilo Tribal. Com sua trupe Fat Chance Belly Dance, inseriu no Tribal a característica mais forte do Estilo Tribal Americano ou American Tribal Style (ATS): a improvisação coordenada. Este sistema de improvisos parece uma brincadeira de "siga o líder" e baseiase numa série de códigos e sinais corporais que as bailarinas aprendem, trupe a trupe.
Esses sinais indicam qual será o próximo movimento a realizar, quando haverá transições, trocas de liderança, etc. Uma nova postura foi adotada pelas dançarinas desse estilo, inspirada no flamenco, com posições corporais diferenciadas visando maior amplitude aos movimentos.
Nos anos 1990, o Estilo Tribal passou a demonstrar a presença de outras danças. Além da Dança do Ventre, introduziu Dança Indiana, Flamenco, dança moderna e jazz. Nasce então o Neo Tribal, um subestilo que já não se mantém preso ao sistema de sinalização do Estilo Tribal Americano, trabalha com peças coreografadas e ganha liberdade com a adição de novos movimentos, inovações cênicas, acessórios e composição de figurino.
Em 2002, no Brasil, na cidade de São Paulo, a bailarina Shaide Halim cria aCia. Halim Dança Étnica Contemporânea a primeira trupe tribal do Brasil. Foi o início do Estilo Tribal Brasileiro. Desenvolvendo um trabalho baseado nestas modificações pelas quais o estilo passou, Shaide inova mais uma vez ao trabalhar com as danças de uma forma mais homogênea. A Cia. Halim tem seu trabalho coreográfico orientado pela composição musical, dando ênfase a uma ou outra modalidade de dança, seja oriental, indiana, africana ou brasileira, a partir do tema musical.
Estilo Tribal
é uma modalidade de dança que, tendo como base a dança do ventre, funde arquétipos, conceitos e movimentos de danças étnicas das mais variadas regiões, como o Flamenco, a Dança Indiana e danças folclóricas de diversas partes do Oriente, desde as tradicionais manifestações folclóricas já bem conhecidas pelas bailarinas de dança do ventre às danças tribais da África Central, chegando até as longínquas tradições das populações islâmicas do Tajiquistão (HALIM, 2008).
O Estilo Tribal Brasileiro chegou a Porto Alegre no ano de 2006, atrav
és de um workshop realizado por Shaide Halim, produzido pelo Estúdio Mahaila Diluzz, que agora vem ensinando o método Cia Halim.
N
ão é folclore, nem é etnicamente tradicional. O Estilo Tribal é uma modalidade de dança que funde conceitos e movimentos de danças étnicas das mais variadas regiões, como Dança do Ventre, Flamenco, Dança Indiana e Dança Havaiana, além de folclores de diversas partes do Oriente e danças tribais da África Central (HALIM, 2008).
Falar sobre Tribal
é mostrar, com o corpo, a rede cultural dos povos do mundo.O termo se refere à comunidade, grupo, família, aspectos do feminino que trabalham a preservação da espécie, o cuidado com o outro, a manutenção da vida e do lar. É uma dança propositalmente ecológica em seu figurino, pois faz utilização de sementes, flores, conchas e tudo o mais que remeta à ancestralidade e naturalidade. Cada trupe ou tribo cuida dos seus integrantes objetivando a harmonia dotodo. Para dançar Tribal é preciso conhecer as etnias que irão compor o estilo através de estudo, o que fará com que nos aproximemos das diversidades culturais, dando margem à nossa compreensão das mesmas (HALIM, 2008)
Este estudo, segundo Saide Halim leva a percep
ção de que nas diferenças étnicas, justamente, estão grandes semelhanças de movimentos. Ricos em significados esímbolos próprios, trazidos à luz do Tribal através das mesclas, harmonizamse
quanto
à intenção de tornar pública a arte de cada cultura. Dançar Tribal é para essas mulheres uma celebração e tem por finalidade propor a paz e a harmonia entre os povos de todas as raças e credos, características que elas denominam de Sagrado Feminino. Para exaltar este sagrado usam o corpo e seus movimentos: a dança.
A dan
ça que permeia tudo, que é macrocósmica e microcósmica, é também expressão, comunicação. Na era da globalização, da liquifação dos valores mais primordiais o Tribal parece vir na contramão desse processo, utilizandose
dele como mais um ferramenta para refazer o jogo da ritualidade, da sacralidade, da cria
ção. Assim, o Triba seria a dança do novo milênio, da universalização, da globalização. A Dança do futuro!(HALIM, 2008), O espírito das tribos
Mistura de dan
ça, arte e etnias de todo o mundo, a Dança Tribal se propõe estaralém de qualquer fronteira. O Estilo Tribal parece preencher a lacuna aberta na liberdade criativa, poética dessas mulheres, o que elas chamam de mistério feminino oriental. Existe, de fato, uma construção imagética forte que permite um retorno ao passado e ao mesmo tempo, uma perspectiva de futuro. Interessante observar que esta dança parece ter êxito no intento de unir o moderno ao ancestral.
Mesmo ainda pouco conhecido, esse estilo se tornou uma nova refer
ênciaestética de dança, figurino e música. A Dança Tribal permite a liberdade criativa, as artistas podem ampliar seu vocabulário gestual, utilizando técnicas tanto ocidentais quanto orientais, tuda criação é bem vinda no Tribal.
Talvez por ser t
ão diferente há que ver, ouvir, pensar e avaliar... E quando se entende, ficamos deliciosamente presos por esta magia que é o
"mundo tribal"
! (I Festival de dança, 2008)
Estilos de Dança do Ventre e Danças Folclóricas
Dança com véus O véu está presente em várias passagens de textos que falam sobre a dança dos povos do antigo Egito, por isso é previsível que este seja muito usado pelas bailarinas na atualidade. Quando se fala sobre a importância e o significado do véu, devemos lembrar que os movimentos da Dança do ventre estão relacionados aos animais, às plantas, aos símbolos da mitologia egípcia e aos quatro elementos da natureza. Portanto, podemos relacionar o véu com o elemento ar e os ventos que sopram no deserto. A dança com véu pode variar de acordo com a intenção e criatividade da bailarina. Pode-se dançar com um único véu, com dois ou até nove véus. Algumas bailarinas fazem uso do véu aliado aos snujs, querendo assim demonstrar sua habilidade com os acessórios da dança.
Dança com sete véus Sua origem é muito especulada e já foi associada à passagem bíblica em que Salomé pede a cabeça de João Batista. Atualmente, é muito comum ver a dança ser vinculada aos sete chakras corporais. Os véus teriam as cores representativas dos chakras, simbolizando sua transformação. A interpretação mais bela, na opinião da maioria dos estudiosos seria a de que esta tivesse sido originada de uma antiga lenda babilônica que dizia: a Deusa Ishtar descia ao mundo subterrâneo e lá permanecia por seis meses. A terra morria e nada nascia. Mas quando seu marido Tammuz descia para vê-la, nos outros seis meses do ano, a terra renascia e todos celebravam. Ishtar, ao descer, passava por sete portais e em cada um deles deixava um de seus atributos: saúde, beleza, poder..., até ficar nua e indefesa, o que simbolizava a fragilidade de todos os mortais. Para cada portal atravessado pela deusa, a bailarina se despe de um véu, executando um movimento.
Dança com cimitarra Dança com várias versões para sua origem. A primeira seria que esta dança servia para homenagear a Deusa Neit, mãe de Ra, deusa da guerra, que destruía os inimigos e abria os caminhos. Uma segunda versão conta que a dança com cimitarra surgiu nas tabernas onde os soldados, após seus dias de luta iriam descansar e as mulheres da casa pegavam suas espadas e dançavam. A terceira versão deriva do Arjã, dança milenar que só era executada por homens, geralmente os velhos das aldeias. Simbolizava a vitória sobre os inimigos e a conquista de territórios. Com o passar do tempo, as mulheres incorporaram à sua dança a cimitarra, espécie de espada com aponta recurvada. A dança com espada simboliza poder e força.
Dança com punhal Versão da dança com cimitarra. Quase nada se sabe sobre sua origem, mas alguns acreditam que, para os egípcios, era uma homenagem a Deusa Selkis, que simbolizava a morte e a transformação. Numa segunda versão, essa dança era realizada pela odalisca predileta do Sultão, para mostrar seu poder às outras mulheres do Harém. Ela tomava do Sultão seu punhal e dançava diante de todos. Com isso, ficava provado que ele tinha total confiança nela.
Tahtib ou Said Dança beduína do Sul do Egito, originaria dos nômades do deserto. Inicialmente, era dançada por homens. O nome correto seria Tahtib, mas é comumente chamada de Saaidi, pois se utiliza esse ritmo em sua execução. É dançada com um cajado nas mãos, conhecido como shoumas e este serve para fazer “acrobacias”, que é o ponto forte da dança, representando uma espécie de luta, onde os homens atacam ou defendem-se de golpes imaginários. Por tradição, em algumas aldeias, os bastões eram talhados com a história de suas tribos, servindo a dança também para honrar as conquistas da família. Aos poucos, as mulheres foram assimilando movimentos dessa dança, criando a Raks Al Assaya, versão exclusivamente feminina.
Raks el Assaya Também conhecida como dança do Bastão ou da Bengala. Seria uma versão feminina para a dança Tahtib. Os movimentos são graciosos e delicados e as mulheres manejam o bastão demonstrando suas habilidades com o objeto, usando-o também para emoldurar o corpo durante a execução dos movimentos.
Dança com Snujs Snuj é um instrumento rítmico que serve, quando tocado pela bailarina, para acompanhar o ritmo da música e as batidas de sua dança. O snujs, ou címbalos, são 4 pratilhos de metal presos nos polegares e dedos médios de ambas as mãos, que devem ser tocados leve e rapidamente, fazendo com que o som seja próximo ao de sinos de igreja. Pode ser tocado livremente, seguindo a música dançada, ou dentro da notação específica do ritmo em questão. Os ritmos mais conhecidos são: Ayyoub, Malfouf, Baladi, Saaidi, Maqsoum, Soudi, Masmoudi Kabir, Chaftatalli, entre outros. As bailarinas com maior experiência costumam florear ou mesmo tocar durante a sua dança. Mas isso não é regra: os snujs podem ser tocados só em alguns momentos, acompanhando uma seqüência, a estrofe da música ou algumas batidas do derback. Uma outra possibilidade é da bailarina dançar ao som dos snujs, tocados por um músico profissional. Pode parecer difícil, mas com treino e seguindo algumas regras, como suspender o toque em momentos de Taksim, tocá-los sempre alternados, observar as mudanças de ritmo dentro da música, acompanhá-la dentro do compasso e finalizar no momento correto, a bailarina só trará mais brilho à sua performance.
Dança com Daff O daff é um pandeiro árabe que tem o som um pouco diferente do nosso pandeiro. Por ser pequeno e fácil de lidar, pode ser usado pela bailarina para acompanhar a música. Os ritmos mais rápidos são perfeitos para serem acompanhadas pelas batidas do pandeiro no corpo da bailarina. As danças com instrumentos são sempre muito alegres e festivas.
Solo de Derbake Derbake é um instrumento de percussão, similar à tabla. Enquanto o músico executa o solo desse instrumento, a bailarina acompanha as batidas da percussão com o corpo. O elemento coreográfico típico das danças para o Solo de Derbake é o shimie, acompanhado de movimentos de batida (solares e lunares).
Raks al Balaas Conhecida também como dança do Nilo, acredita-se que sua origem tenha relação com as cerimônias à beira do rio, pedindo que ele inundasse suas margens para fertilizar as terras, beneficiando nas plantações e colheitas. Em outra versão, essa dança seria a representação da vida dos povos de deserto, onde a bailarina faz o trajeto de uma nômade que sai de sua tenda em direção ao oásis com o intuito de buscar água. No caminho, ela executa movimentos com o jarro como: parar para descansar, refrescar-se, pegar a água e, finalmente, voltar à tenda. Para dançá-la a bailarina devera usar roupas que cubram todo o corpo, imitando o traje das beduínas, inclusive fazendo uso dos chadores ( véus que cobrem o rosto). É necessário habilidade, equilíbrio e boa expressão facial. O uso do jarro também pode ser visto na Fallahi, dança egípcia camponesa.
Raks al Nachaat ou Khalleege Dança folclórica originária do Golfo Pérsico, área da Península Arábica que engloba países como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados, Oman e outros. O nome da dança vem exatamente de suas origens: Khaleege, em árabe, significa golfo. Também é conhecida como Raks el Nachaat. É comumente vista em festas familiares desde a antiguidade até os dias de hoje. Para dançá-la, as bailarinas usam longos vestidos largos e bordados, que é um acessório importantíssimo nos movimentos. A execução da dança traz uma simples marcação para os pés, sendo o ponto forte da apresentação, o trabalho de mãos e principalmente giros vigorosos de cabeça e cabelos, formando, também a figura de um oito. A música para o Khalleege também é diferenciada: o ritmo utilizado é o saudi.
Dabke Desde o tempo dos fenícios (cerca de 4000-AC), a cobertura de telhados planos nas casas do Oriente Médio era feita de ramos cobertos com lama. Na mudança de estação entre o outono e o inverno, a dilatação proporcionava rachaduras nessa cobertura, fazendo com que as chuvas de inverno trouxessem vazamentos. Por isso, os proprietários das casas pediam ajuda aos vizinhos para recompor a mistura. Todos subiam ao telhado para recompactar a lama, fazendo com que penetrasse em todas as frestas, a fim de evitar os vazamentos. Com o acompanhamento de um derbake e uma flauta mijwiz, os homens se distraiam no ritual das batidas e assim podiam compactar os telhados de suas aldeias e das aldeias vizinhas, dançada por toda a família. Nas festas árabes, essa dança acaba por contagiar a todos. Mesmo quem não faz parte da colônia, ou não conhece a dança, entra no clima pela alegria e facilidade da execução dos passos. É uma dança de origem libanesa.
Meleah Laf Meleah laf significa lenço enrolado. Esta dança nasceu no Egito, mais especificamente no subúrbio do Cairo. Nos anos 20, surgiu uma moda, em que as mulheres começaram a usar o meleah, grande lenço preto, enrolado ao corpo. A moda passou, mas as garotas do subúrbio até hoje continuam a usar seus lenços. A amarração padrão do meleah passa o véu por baixo dos seios, prendendo uma das pontas embaixo do braço. Do outro lado o véu passa por cima da cabeça ou do ombro e é seguro pela mão. Durante a dança, a bailarina “puxa” o meleah para que este fique justo ao corpo e ressalte suas formas femininas, principalmente o quadril. No decorrer da música, a bailarina solta o lenço e dança até o fim com ele nas mãos. É comum vê-las dançando com um chador, quase sempre de crochê, cobrindo o rosto, que também pode ser tirado no decorrer da apresentação. Outra observação interessante é que a dançarina pode mascar chiclete durante a dança, pois tradicionalmente, as egípcias costumam mascar goma de miske ao dançar. O jeito de andar, o lenço e o chador cobrindo o que mais tarde será descoberto, o ato de mascar chiclete, a música, sempre muito alegre e festiva, são fatores importantes que caracterizam o jeito das garotas baladi do Egito. É uma dança cheia de estereótipos e é necessário charme e uma pitada de ousadia de quem interpreta.
Raks el Shemadan Raks el Shemadan é o nome egípcio para o que conhecemos como a dança do Candelabro. Muito comum em festas de casamento ou aniversário, até hoje serve para celebrar a vida e a união entre as pessoas. Durante as comemorações de um casamento, por exemplo, a dançarina e suas velas simbolizam a luz que irá abrir e iluminar o caminho do novo casal. Essa dança é muito comum no Egito.
Dança com velas Também conhecida como Dança das Tacinhas, deriva da Raks el Shemadan. A bailarina dança com tacinhas, pequenos castiçais ou com velas nas mãos. Durante a dança, as taças são equilibradas em partes do corpo da bailarina, como coxas, barriga, etc. Tem a mesma simbologia que a dança do castiçal, sendo comumente vista em casamentos, batizados e aniversários. Serve para iluminar o caminho dos homenageados. Esta versão não é considerada folclórica pelos povos do Oriente.
A dança do ventre caiu no gosto do mundo inteiro e por isso acabamos descobrindo no folclore dos povos do Oriente várias outras danças, que já incorporamos ao nosso “acervo”. No entanto, algumas modalidades raramente podem ser aprendidas ou mesmo vistas por nós, ocidentais, geralmente, por terem um caráter religioso ou carregarem traços culturais muitos fortes.
Dança Ghawazee Ghawazee, para os egípcios, significa ciganas. Assim eram chamadas as dançarinas do ventre, no Egito Antigo, que se apresentavam nas ruas, também recebendo o nome de As Dançarinas do Povo. As ghawazee realizam esta dança de uma maneira toda especial, com trajes folclóricos, pintura tribal dos rostos, turbantes e lenços amarrados à cabeça e músicas tradicionais, com poucos instrumentos. Hoje em dia, poucas ciganas tentam ganhar a vida dançando ou dando aulas no Egito, pois os maiores hotéis e casas noturnas do Cairo privilegiam as bailarinas de dança do ventre hollywodianas. No entanto, surge nos Estados Unidos um movimento muito forte, tentando buscar as raízes da dança dessas ghawazee. Grupos como The Ghawazee Troupe, The Fat Chance Belly Dance e The Pink Gipsy Groupe, estão buscando nessa forma de dançar uma nova visão da Dança do Ventre. Associando a Dança Ghawazee à outras danças orientais, formam o que chamam de Tribal Fusion Style.
Dança com Flores Realizada na época da primavera, quando as camponesas egípcias iam trabalhar na colheita das flores. Para amenizar o trabalho, elas cantavam e dançavam. Mais adiante, tornou-se uma dança comum nas festas populares. Enquanto dança, a bailarina entrega as flores de seu cesto aos espectadores. As Ghawazee também realizam a mesma dança, denominada Dança do Cesto. Neste caso, a dançarina acrescenta algumas características próprias, como equilibrar o cesto de flores na cabeça, mexer suas saias rodadas enquanto dança ou prender uma flor entre os dentes, por exemplo.
Dança com Lenços Sua origem parece vir do Norte da África. Ainda se encontram mulheres executando essa dança na Algéria, Marrocos e Tunísia. Para isso, utilizam-se dois lenços. A dança mantém movimentação básica dos pés e os lenços servem para serem agitados no ar, dando graça e movimento à dança. Numa variação, usa-se apenas um lenço, compartilhado por ambas as mãos. Enquanto dança, a bailarina usa o lenço num jogo de “esconder e revelar”, primeiro deixando visível apenas os olhos, depois o nariz, a boca, e usando-o como uma moldura para mostrar a movimentação de tronco ou quadril.
Guedra Dança ritual típica dos nômades do Deserto do Saara, aparecendo também na Mauritânia, Marrocos e Egito. Também é conhecida como a Dança da Benção dos Touaregs. É uma dança de transe, de origem religiosa, que tem por finalidade trazer satisfação e alegria plena àqueles que a praticam e/ou a assistem. Sua base é simples e a bailarina executa movimentos com as mãos, para as quatro direções norte, sul, leste e oeste, para os quatro elementos céu-acima, terra-abaixo, ar - para trás e água - para baixo ou simbolizando o tempo passa do trás, presente - para o lado e futuro - para frente). Outro movimento básico seria a benção oriental, quando a dançarina toca o estômago, o coração e a cabeça, emanando a energia da dança ao público. Para recuperar a energia emanada, a dançarina toca-se na direção do ombro, trazendo a vibração da platéia para si. Inicia-se com o rosto coberto por um véu, que pode ser abandonado no decorrer da dança. Em certos momentos, a dançarina começa um balanço de cabeça para frente e para trás, geralmente brusco, fazendo voar suas tranças. Com grande freqüência, encerra-se a dança no chão. A roupa típica para dançar Guedra é o Kaftan, acompanhado do Haik, espécie de manto preso à frente do corpo por alfinetes e correntes. Acompanha adornos de cabeça e tranças reais ou postiças. A música usada são cânticos muçulmanos que podem durar até horas.
Raks al Senniyya Raks al Senniyya, ou dança do chá, tem sua origem no Marrocos. Uma dança tradicional para esses povos, pode ser praticada por pessoas de ambos os sexos. Executa-se basicamente uma performance para a demonstração de equilíbrio e destreza. Os dançarinos geralmente balançam-se ao som da música, com uma bandeja de xícaras de chá apoiada na cabeça.
Fellaha ou Fallahi Dança originária da região do alto Egito. Diferente do Tahtib, que tem como característica ser uma dança dos povos nômades, a Fellaha ou Fallahi vêm dos Fallahin, fazendeiros egípcios (camponeses). Fallahi significa “criado por um Fallahin”. Também o ritmo musical usado para esta dança recebe o nome de Fallahi. A dança simboliza um encontro, sendo dançada, em geral, por casais (ou grupos de mulheres e um homem). Conta a história de um rapaz que estava à procura do amor, e acaba encontrando uma jovem. No entanto, seu coração é volúvel. Surpresa com o comportamento dele, ela acaba dexando-o sozinho. Numa outra forma, pode ser realizada apenas por mulheres, as quais dançam com jarros. O passo básico da Fallahi lembra o pas de valse do ballet clássico.
Choufou el Arbiyya Dança típica tunisiana, realizada apenas por mulheres. Nessa dança, elas mostram, com agilidade, suas habilidades de dançarina com batidas pélvicas e de quadris, enquanto mostram seus tornozelos ao público, para demonstrar que não usam o Khul-khaal ( espécie de tornozeleira) e que, assim sendo, não são casadas. Seria quase que uma dança de sedução, de moças solteiras em busca de um namorado. Durante o desenvolver desta, elas fazem mímicas como se estivessem se maquilando, ajeitando o vestido, ajudando umas às outras etc.
Haggalah Originária da Líbia, porém muito dançada também no Egito, com maior freqüência em Mersa Matruh. A performance é executada por mulheres totalmente cobertas, ao som de palmas e cânticos masculinos, chamados Keffafeen. Tradicionalmente, a dançarina de haggalah deve apresentar-se para quatro homens e, dentre eles, escolher apenas um para o qual terminará sua dança. Quando escolher seu pretendente, este deverá laçá-la com seu turnante ou faixa. Numa versão mais moderna, grupos de mulheres dançam, alegremente, umas para as outras.
Sule Kule ou Karsilama Cigana Karsilama ou Karschilama é um ritmo de origem turca que nomina também a dança, é realizada pelas cengis, as mulheres ciganas da Turquia. Na dança, ao som das batidas do pandeiro, balançando suas saias rodadas, essas mulheres relembram suas origens, quem elas verdadeiramente são. Na Turquia, é provável que ainda se encontre verdadeiras Cengis dançando o Karsilama.
A Dança Gawazze
Os gawazzes eram umas das tribos de dançarinos mais famosos do egito. Apesar de muçulmanos, não eram realmente egípcios, mas membros de uma tribo distinta.Viviam no alto egito e cidades do delta.
A tribo viajava sempre de cidade em cidade, dançando nas ruas em troca de dinheiro.Eram os bailarinos mais requisitados na época.
Estavam entre os cidadãos mais afortunados do egito e possuíam riqueza considerável.
Como era a dança dos ghawazzes?
É uma dança da terra,com movimentos pesados, voluptuosos .Shimmies rápidos e torcidos, giros, colisões e a tradicional " corridinha "são os movimentos mais comuns.
É comum o uso de snujs,gritos e zaghrootas(li,li,li,li,....).O importante era chamar a atenção do público.O traje utilizava muitas moedas e roupas coloridas.
SCLRN 716 Bloco E Loja 24 - Asa Norte - Brasília/DF 3273-4578 - 9115-3124 - 9248-8173